Destino

nos momentos de dor

no fim, que se vai anunciando

quando a minha voz for contra mim ainda mais amarga 

por aqui, descansarei.

com as minhas palavras escritas sobre ti contra o peito, como um bálsamo.

Força

Queres ser o chão firme, onde caminham, correm, dançam e saltam aqueles que amas. Queres ser alcatrão, um piso liso e livre de obstáculos. Mas, sabes, os que amas também caem e, porventura, se fores um chão lamacento nesses momentos, talvez a queda lhes doa menos.

És forte, mesmo quando és frágil.

Amor à mão

Que me importa que estejas longe da vista, o que preciso é de te ter à mão

Na mão
Com a mão
Pela mão
Mão com mão
A quatro mãos

Se o amor é cego, que mal tem?
Não preciso dos olhos para te ver.
Tenho um corpo. E tenho pele. E tenho pernas. E tenho pescoço. E tenho cabelo. E tenho língua. E tenho boca.

E mãos para te ver.

Espanto

Vamos morrendo de espanto. Primeiro, em retalhos. No fim, o todo que resta. Num caso como noutro, o espanto é o gatilho.

O espanto é uma morte fértil. Não é semente daquilo que o causa. Mas, cava sulcos na terra que somos e fertiliza-os.

Repara, se me espanta não receber notícias tuas, não é por me espantar que elas chegarão. Portanto, o espanto vai aniquilando uma certa esperança, abrindo um espaço, que antes não existia, para algo novo.

O espanto é um fantasma, que se destapa, um susto, que enche os pulmões, algo inusitado, que não se deseja, mas que encaixa. 

O espanto é um perecer em brando lume, a ferver, que não se esgota.

A súbita consciência de um fogo inexistente, que abrasa, sem cessar, coração de quem o sente. 

O espanto congela a veias, mas não pára o coração.

O espanto é uma morte lenta e um começo voraz.  É o momento que antecede um fim e um início simultâneos.

É o espanto que nos mata, para que possamos viver.

Espantemo-nos então.







Preciso de partir

Tantas vezes deixarei de morrer, para que não partas.