Poema de Amor
Aparato no peito
Este exagero absurdo em que transformo a mágoa, percebo que te seja perfeitamente inútil. Na verdade, se eu pudesse ser só ser um ato de razão, também tornaria inutilidade tudo o que sinto. Não há saldo positivo quando se carrega este aparato no peito horas a fio.
Não me assombram os teus mil afazeres.
Nem que o tempo te passe entre os dedos sem dares conta.
Incomoda-me que não tenhas, como eu, um aparato no peito.
Visitante
Esperança
Desejos
Em tantas noites
também eu me sentei debaixo de um negro céu
à espera que as estrelas caíssem no meu colo
e queimassem as pontas dos meus dedos, que insistem em carregar com todo o cuidado
este coração
cadente
Desejo que nada o impeça de cair contra o chão.
Se te fores embora
Parte como chega o verão:
numa madrugada aleatória de junho,
despertados pelo suor que nos escorre pelo pescoço,
percebemos o cobertor a mais na cama.
Que assim seja o nosso desamor,
um problema de transpiração.
Pois o inverno estará perto, ao virar de duas estações, se te fores embora como o verão chega.
E o cobertor voltará à cama.
Assim o amor
Faço tudo o que me pedes
Mas, não te iludas
Depois de pedires,
Quem decide sou eu.
Porém, faço tudo o que pedes
É assim o amor
Altivo e servil
Preciso de partir
Tantas vezes deixarei de morrer, para que não partas.
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