Destino
nos momentos de dor
no fim, que se vai anunciando
quando a minha voz for contra mim ainda mais amarga
por aqui, descansarei.
com as minhas palavras escritas sobre ti contra o peito, como um bálsamo.
Força
Queres ser o chão firme, onde caminham, correm, dançam e saltam aqueles que amas. Queres ser alcatrão, um piso liso e livre de obstáculos. Mas, sabes, os que amas também caem e, porventura, se fores um chão lamacento nesses momentos, talvez a queda lhes doa menos.
És forte, mesmo quando és frágil.
Amor à mão
Espanto
Vamos morrendo de espanto. Primeiro, em retalhos. No fim, o todo que resta. Num caso como noutro, o espanto é o gatilho.
O espanto é uma morte fértil. Não é semente daquilo que o causa. Mas, cava sulcos na terra que somos e fertiliza-os.
Repara, se me espanta não receber notícias tuas, não é por me espantar que elas chegarão. Portanto, o espanto vai aniquilando uma certa esperança, abrindo um espaço, que antes não existia, para algo novo.
O espanto é um fantasma, que se destapa, um susto, que enche os pulmões, algo inusitado, que não se deseja, mas que encaixa.
O espanto é um perecer em brando lume, a ferver, que não se esgota.
A súbita consciência de um fogo inexistente, que abrasa, sem cessar, coração de quem o sente.
O espanto congela a veias, mas não pára o coração.
O espanto é uma morte lenta e um começo voraz. É o momento que antecede um fim e um início simultâneos.
É o espanto que nos mata, para que possamos viver.
Espantemo-nos então.
Presente
Distância
Desacelerar
Preciso de partir
Tantas vezes deixarei de morrer, para que não partas.
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Como grande parte da nossa sociedade, porque inserida numa cultura judaico-cristã, fui educada a não julgar o próximo. Mais, fui ensinada qu...
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Não o calculo na entrega. Então, não me subtraias. Soma. Eu sou mais do que este corpo lascivo.
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Amor, As flores dos meus canteiros desertaram. Arrancaram-se pelas raízes e partiram. Fugiram para a ponta do meu lápis de carvão e enterrar...